Gravidez

Planejamento

O planejamento da gravidez envolve vários aspectos.

Em primeiro lugar, é fundamental que a mulher esteja em boa saúde. São poucas as doenças que contraindicam a gestação, mas alguns problemas de saúde e o uso de certas medicações podem prejudicar a formação e o desenvolvimento do embrião. Mulheres que fazem uso de medicações ou que possuem qualquer tipo de problema de saúde, devem fazer uma consulta médica antes de engravidar, para avaliação dos riscos e da necessidade de mudança nas medicações em uso.

Além disso, o planejamento envolve a decisão do casal sobre quando é a melhor época para engravidar. Ter um filho causa grande impacto na vida do casal e uma mudança considerável no estilo de vida. Trabalho, viagens, projetos, investimentos passam a ser modificados em função do nascimento de um ou mais bebês. As noites de sono não serão as mesmas. A vida social não será a mesma.

No entanto, vale lembrar que o adiamento excessivo da gravidez pode trazer alguns problemas, como a redução natural da fertilidade do casal e o aumento de alguns riscos para a gravidez, que ocorrem especialmente a partir dos 35 anos de idade da mulher. Também é importante ter em mente que não há como escolher com certeza quando será a a gravidez, visto que mesmo casais saudáveis e férteis podem demorar mais de um ano de tentativas até que tenham sucesso.


Diagnóstico

O diagnóstico de gravidez é sugerido inicialmente pelo atraso menstrual. Alguns sintomas podem ou não estar presentes: dor nas mamas, enjôo, sonolência, alterações de humor e aumento no volume abdominal.

São inúmeros os testes de gravidez disponíveis no mercado, além daqueles feitos em laboratório, tanto em urina quanto em sangue. Alguns prometem detectar a gravidez com apenas um dia de atraso menstrual. Via de regra, quanto menor o atraso menstrual, maior a chance de resultados falso-negativos. Recomendamos o teste de gravidez a partir de 15 dias de atraso menstrual, pois assim aumentamos a confiabilidade do teste.

Os resultados positivos para gravidez não são suficientes para certeza de gravidez. Alguns tipos de teste podem dar resultados falso-positivos em determinadas situações (doença de tireóide não controlada, menopausa, uso de determinados medicamentos, etc.). Mesmo a dosagem do beta-HCG, que é bastante específico de gravidez, pode indicar na verdade uma gestação inviável (ovo anembrionado, gravidez ectópica, mola hidatiforme, etc.).

A confirmação diagnóstica da gravidez é dada pela ausculta de batimentos cardíacos fetais, geralmente a partir das 16 semanas de gravidez, ou pela visualização do embrião na ultrassonografia.


Duração

A gravidez saudável do ser humano tem duração entre 37 e 42 semanas completas, contadas a partir do primeiro dia da última menstruação ocorrida antes da fecundação. Não há nenhuma forma de prever se uma determinada gravidez vai durar 37 ou 42 semanas.

Existe o costume de definir a Data Provável do Parto (DPP), sendo que esta é calculada a partir da data de início da última menstruação (DUM), através de uma regra matemática bem simples (DPP=DUM+(7 a 10 dias)-(3 meses)). Apesar de muita gente levar muito a sério a DPP, ela não significa que o bebê deva nascer nesse dia, tampouco que deva nascer até esse dia. Na verdade, cerca de um em cada 10 bebês cuja gravidez e parto transcorrem naturalmente nasce na data provável. Metade das gestações saudáveis terminam após a data provável. Ou seja, a DPP não serve para muita coisa além de criar ansiedade desnecessária nas gestantes e familiares.

Mas então significa que a gravidez pode durar dez meses?

Quanto a isso cabem duas explicações: 1 - o tempo de gravidez é calculado a partir do início da última menstruação, que ocorre em média duas semanas antes da fecundação; 2 - a maioria dos meses do calendário (onze, para sermos exatos) possui mais do que quatro semanas. Desta forma temos que nove meses de gestação são equivalentes a 41 semanas contadas a partir da DUM.

A partir de 37 semanas, considera-se que o feto já esteja suficientemente maduro para o nascimento, desde que ocorra o início espontâneo do trabalho de parto.

Toda gestação em mulher saudável cujo feto esteja em boas condições de desenvolvimento e vitalidade pode prolongar-se até 42 semanas completas de gestação. O prolongamento da gestação além de 42 semanas não é recomendado, por acrescentar riscos injustificáveis para o feto.

Algumas condições desfavoráveis para a mãe e/ou feto podem indicar a necessidade de interrupção precoce da gravidez, quando o risco de manutenção da gestação superar o risco do nascimento prematuro. Essa decisão envolve, além das condições da mãe e do feto, a capacidade técnica da maternidade que irá receber o recém-nascido prematuro e a tecnologia disponível para acompanhar o desenvolvimento de uma gestação de alto risco. Importante frisar, no entanto, que antecipar o nascimento não significa necessariamente que o parto tenha que ser feito por cesariana.


Modificações do Corpo Materno

O corpo da mulher evoluiu durante milhares de gerações para poder acomodar da melhor forma o desenvolvimento do bebê. A cada mês, durante a ovulação, o útero fica pronto para receber um óvulo fecundado. A partir do momento em que a fecundação ocorre e o embrião inicia sua implantação no útero, o corpo da futura mamãe começa a modificar-se para dois objetivos principais: prover alimento e oxigenação ao feto e preparar-se para o parto.

A nutrição e oxigenação do feto são favorecidas por um aumento na circulação sanguínea do útero e também por um aumento na capacidade dos pulmões maternos. A comunicação entre placenta e útero favorece a passagem de nutrientes do sangue materno para o sangue fetal, que chega na placenta através do cordão umbilical.

O corpo materno prepara-se ao longo dos nove meses de gestação para o parto. O volume de sangue fica maior, permitindo que a perda sanguínea durante o parto seja bem tolerada. Os ligamentos e articulações ficam mais flexíveis, permitindo modificações na bacia que facilitarão a passagem do feto durante o parto.